05
Jan26
Maria do Rosário Pedreira
Um dos autores que imediatamente associo à minha carreira no mundo da edição é Ian McEwan, cujo mais recente romance foi escolhido como o melhor livro de 2025 por vários meios de comunicação. Quando comecei a trabalhar nos livros em Janeiro de 1987, o primeiro romance que veria publicado pela editora para onde fui trabalhar, a Gradiva, foi justamente O Jardim de Cimento, de Ian McEwan, e lembro-me perfeitamente de que na badana se falava de um romancista altamente promissor, uma nova estrela, segundo a revista Granta, um jovem turco das letras britânicas (elogiados no mesmo número eram também Kazuo Ishiguro e Martin Amis). O livro era de facto diferente e muito bom e, naturalmente, fui acompanhando o autor não só durante os nove anos que trabalhei na Gradiva (penso que Amsterdão, que ganhou o Booker Prize, foi o primeiro livro dele publicado depois da minha saída; e se calhar é por isso que nem gosto muito dele), mas até hoje, tendo lido todos os seus livros traduzidos em Portugal, excepto Lições (que tenho, mas ainda não li porque tem umas 700 páginas) e o tal romance muito elogiado pela crítica, O Que Podemos Saber (que me ofereceram no Natal e até já espreitei). O friso McEwan na minha estante nota-se bem; e, ao retirar alguns dos títulos mais antigos (A Criança no Tempo, O Inocente, Cães Pretos, O Sonhador...) e comparar a cara do escritor com a da foto que aparece na badana deste novo romance, vejo como aquele «jovem turco» envelheceu e sinto-me eu própria uma senhora de idade, embora grata por ter podido trabalhar, rever, ler antes dos outros, algumas das suas obras. Tomara que McEwan ainda escreva muitos livros.