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Nov23

Maria do Rosário Pedreira

Hoje sai para os escaparates a obra poética completa de Roberto Bolaño (o último «autor-mito», como diria Eduardo Lourenço, da nossa época, a par de David Foster Wallace, mas muito mais lido internacionalmente). Bolaño escreveu em vários registos, que não raro se misturavam, e os seus romances (Os Detectives Selvagens ou 2666, por exemplo) são a parte da sua obra mais referida e elogiada, o que é curioso, porque o escritor chileno achava que a poesia é que era uma forma de arte superior. Com tradução do jornalista e editor Carlos Vaz Marques (que é um apaixonado de Bolaño) e prefácio de Manuel Villas (autor que se tornou conhecido mundialmente com o romance Ordesa, por cá intitulado Em Tudo Havia Beleza, mas também poeta), a Poesia Completa de Roberto Bolaño é um cuidado volume de capa dura e sobrecapa que ultrapassa as 400 páginas e será um excelente presente de Natal para quem gosta de poesia e de Bolaño (pode ser que mo ofereçam antecipadamente, pois não vou esperar até lá). Segundo o texto da editora Quetzal, que o dá à estampa num acto de amor e coragem, muitos dos poemas de Bolaño «são profundamente autobiográficos e – como a generalidade da sua ficção – estão cheios de poetas e artistas famintos, errantes, em cenas de pugilato, loucos por sexo, magoados, egocêntricos, mergulhados na noite, à beira da penúria, literatos corruptos ou canções que nunca foram escritas. É um mundo interminável, belo e terrível». Como resistir?

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