09

Mai24

Maria do Rosário Pedreira

Quando saí da faculdade, sentia-me um pouco perdida sobre o que ler, pois os professores tinham sido uma grande orientação ao longo dos anos. O que me valeu foi ter muitos amigos leitores, alguns dos quais são uma grande ajuda. Claro que nem sempre os nossos gostos concidem, pois a nossa experiência de vida e de leitura (e até de formação) é necessariamente diferente. Um destes amigos, por exemplo, é um apaixonado da História e lê quase sempre ensaios, enquanto eu prefiro a ficção; outro prefere ler os clássicos, que geralmente não desiludem, enquanto eu tenho por hábito ler os novos autores nacionais e internacionais. Mas é sempre bom receber um conselho sobre o que ler e troco muitas opiniões e livros com a minha irmã, que, depois de se ter reformado, não faz mais nada senão ler, a sortuda. Para quem não tem pessoas próximas que ajudem, há sempre os blogues de livros (este também, claro). Em França, os livreiros assinalam nas montras os seus «coup-de-coeur» com um post-it na capa dos livros de que gostaram com palavras elogiosas (há até prémios dados por livreiros). Cá, a newsletter da Bertrand também inclui opiniões de alguns livreiros de norte a sul do País («o seu livreiro é o seu melhor conselheiro», diz o título, a que se seguem alguns livros destacados pelos funcionários). Não há razões para não ler só porque não sabe por onde começar. Ouvir opiniões é sempre um bom começo.