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Mai24
Maria do Rosário Pedreira
A mortalidade é uma chatice para muita gente, e há uma parte dessas pessoas que tentam desesperadamente cá ficar nas memórias alheias quando se forem embora. Muitas nem sabem que é também por causa disto que ambicionam ser célebres ou, no mínimo, conhecidas pelas suas boas acções e invenções. Mas ser vedeta ou personalidade pública deve dar imenso trabalho: ser investigado, perseguido, policiado, acompanhado por milhares de pessoas a todo o instante, abordado na rua, etc., etc., a mim parece-me um verdadeiro inferno. Falo disto porque saiu para os escaparates um livro chamado Vida de Nobel, no qual o jornalista científico Stefano Sandrone entrevista mais de duas dezenas de vencedores do Prémio Nobel para dar a conhecer as histórias das suas vidas e o que mudou desde que ganharam o Prémio mais ambicionado do Planeta. Trata-se de cientistas nas áreas da Química, da Física e da Medicina e ainda de alguns economistas, que deixam aos mais novos a sua história, os seus conselhos e incentivos. A Literatura ficou de fora desta leva de pessoas, mas alguém poderia pegar na ideia e perguntar realmente o que muda na vida de um escritor que ganha o Nobel. Os livros normalmente ficam piores, diria eu, e a vida um horror com tanto convite...