Ainda pensei em começar este texto com um "o melhor dos livros são as pessoas" mas assim que o pensei ri-me de mim mesma porque seria uma mentira descarada. Nem o melhor dos livros são as pessoas nem as pessoas são o melhor do que quer que seja. Mas as pessoas dos livros são (d)as melhores pessoas.

O melhor dos livros são os próprios livros, a história, as sensações e as emoções que provocam. E, como estou numa de falar sobre o assunto, aviso já que o cheiro dos livros não é assim tão bom. Se for de livro velho, causa alergia. Se for de livro novo é, muitas vezes, mauzinho. Eu adoro livros mas não os idolatro enquanto objectos e muito menos gosto de lhes limpar o pó. Talvez por isso me tenha adaptado tão bem ao formato digital.

Mas estou a perder-me, o tema hoje são as pessoas. As dos livros, claro. As melhores de todas.  Mas talvez este texto não seja sobre as pessoas dos livros mas sim sobre a forma como os livros nos aproximam de outras pessoas, como esbatem a importância de outras características. 

Quando alguém gosta de ler é fácil estabelecer uma relação. Fi-lo com uma senhora idosa que anda sempre com um livro na mão e que floresce quando lhe pergunto se está a gostar e do que trata o livro. Conta-me sempre a história de como sempre gostou de ler e como escondia os livros (da mãe) para poder ler em cada momento livre. Fi-lo com um senhor mais velho, num evento de família alargado, que se sentia meio fora de pé e com quem passou a ser fácil falar. Os livros são uma âncora à vida e aos outros. 

Ontem fiquei feliz quando me disseram que tinham lido e adorado um livro por minha recomendação. Sinto sempre uma enorme responsabilidade quando percebo que alguém, de facto, ouviu aquilo que eu disse e optou por gastar parte do seu tempo a ler algo porque eu o recomendei. 

(uma pausa para vos dizer que está a ser muito difícil escrever este post com uma gata em cima do ombro, a pedinchar atenção e festinhas e ronronar como se eu fosse a melhor coisa que lhe aconteceu hoje. Amor de gato é qualquer coisa de fantástico)

E quando duas ou mais pessoas dos livros se juntam é uma maravilha, saltamos de livro para livro, falamos de personagens como se de pessoas reais se tratassem e compreendemos quando alguém se revolta ou sofre com algo que só aconteceu na página de um livro. Compreendemos a importância que aquelas pessoas personagens têm na nossa vida, o quanto nos moldam, nos influenciam e nos fazem felizes. E às tantas estamos no meio de uma multidão mesmo que fisicamente sejamos apenas 2.