
Henri Fantin-Latour, 1886
Muitas pessoas pensam que um livro é um mero objecto que se usa e se coloca numa prateleira a ganhar pó. Mas esta é, sem dúvida, uma visão redutora do livro e da sua utilidade. Um livro pode ser tudo aquilo que quisermos: uma distracção, um amigo que está lá quando é preciso…no meu caso sempre constituiu uma espécie de abrigo. Quando era pequena nunca quis brincar com bonecas ou com outros objectos comuns, do que eu gostava mesmo era de me sentar no chão a folhear livros vezes sem conta. Naturalmente, nessa altura ainda mal sabia ler….mas gostava do acto de pegar e manusear o livro, gostava de sentir as folhas. Ainda hoje, gosto de pegar num livro, ver as ranhuras da capa, sentir o cheiro das páginas. Entretanto esta relação foi-se aprofundando. Pode parecer um lugar comum, mas pegar numa folha e conjugar sílabas e formar frases foi sempre algo que para mim encerrava uma certa magia, pois abria portas para novos mundos. Hoje em dia, pode viajar-se através da televisão e da internet, no entanto a envolvência que um livro nos oferece é bastante diferente. Quando nos envolvemos realmente numa história perdemos a noção do tempo e do lugar…É como entrar num mundo onde tudo é permitido e onde se pode viver outras vidas. Como eu disse, para mim os livros não são apenas fonte de aprendizagem, mas também um salutar refúgio. Alguém disse que não havia maior alegria do que chegar a casa e ter um livro à nossa espera…Devo dizer que concordo totalmente, especialmente se o dia não correu bem Assim, nunca fico muito tempo sem ler, embora isso por vezes aconteça por falta de tempo. Posso, em jeito de conclusão, dizer assim que tenho uma relação próxima com os livros. Talvez seja um pouco ingénuo firmar que é possível manter uma relação de amor com objectos que afinal, pensamos, são objectos inanimados, mas é assim que eu gosto de os ver, como uma espécie de amor, que se vai alimentando e cuidando todos os dias, para que não seque.