Perto de morrer, a mãe de Samuel pede que ele vá encontrar a avó e o pai desconhecido. Contrariado, ele percorre a pé o caminho de Juazeiro do Norte a Candeia, sob o sol do sertão cearense. Ao chegar, abriga-se na cabeça oca de uma estátua de Santo Antônio, onde ouve preces femininas sobre o amor.

“Foi a morte que me ensinou. O tempo de sonhar é em cima da terra.”

As expectativas para ler um livro que foi desenvolvido na oficina de Gabriel García Márquez não podem ser baixas e, para a minha felicidade, A cabeça do santo realmente não decepciona. Li ele num momento de muita saudade do Nordeste, o que deixou a minha experiência mais palpável, pois eu estive diante de um misticismo – observado nos elementos do realismo mágico – muito conhecido por quem cresce com família no interior, o que me cativou desde a primeira página e acalmou o coração.

A história tem umas pitadas de drama, mistério, romance… Tudo isso com bom humor e de forma bastante delicada. Fiquei surpresa de uma narrativa tão leve conseguir falar bem sobre o perdão, passado, crenças e amor de forma coesa, além de resgatar essa característica quase que ancestral nordestina (ou pelo menos foi o que eu senti lendo, rs).

Esse foi o primeiro livro que li de Socorro Acioli, que já me conquistou com sua escrita poética e sua habilidade criativa, e foi uma das melhores leituras que fiz em 2023. Foi um prazer ter lido um livro tão estranhamente familiar.