Le Chat – Jean M. / reprodução Bruno Pernambuco I Como pode esse sentimento tão simultâneo àquele amor que eu sinto? Esse abade do laço, nó que eu desfaço, verdade que eu minto. Esse inverso do certo, acerto do verso, memória que esqueço A lembrança do abraço, um ano que eu faço, início do avesso. II Perdi um pensamento na boca da primavera que aguardo. Espero um tempo que espere meu segredo nenhum está guardado. III Última nota não tenho de uma emoção que nasce no silêncio até morrer em paz de folha seca que dança no tropeço de amar. Me falta a última palavra de um poema que acontece no espaço entre o sal dos olhos e o instante do mar.