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Nov22

Maria do Rosário Pedreira

Nos últimos anos, apesar de um grande desencanto com muito do que para aí se escreve, descobri alguns bons autores de quem procuro ler tudo. Uma escritora, por exemplo, de que não costumo falhar um livro é Leïla Slimani, vencedora do Goncourt com o impressionante Canção Doce e, pelo que sei, residente em Lisboa. À excepção daquele relato/encomenda que nasceu de um convite para ela passar a noite sozinha num museu, que é bastante atípico na sua obra, os romances são extremamente interessantes e reflectem geralmente factos da vida da família de Slimani, o que se passa, aliás, com o belíssimo O País dos Outros, que tem agora uma segunda etapa que ando a ler, Vejam como Dançamos, e segue a história de Mathilde (uma alsaciana que se casa com um marroquino e vai viver para o país do marido), mas com ênfase especial na geração dos filhos do casal: Aïcha, a menina que era uma aluna excelente e teve a sorte de poder ir para a Europa estudar Medicina; e o seu irmão Selim, um adolescente que não estuda, está perdido de tudo e de si mesmo, anda com hippies que procuram uma espécie de paraíso de drogas em Marrocos e faz, em suma, demasiadas asneiras que só pode pagar à frente, algumas com a conivência da sua estranha tia. Mas ainda só vou a meio desta história em que verei certamente Aïcha apaixonar-se por um rapaz que ontem, quando pousei o livro, estava a dançar sozinho numa boîte dos arredores de Rabat. Estou curiosa sobre o que hoje vai acontecer e, quando terminar, voltarei a falar deste livro aqui no blogue.