Sempre que me sinto triste ou acuado, é em W. B. Yeats que busco forças. Não sei explicar o poder que as palavras dele possuem, mas me acalmam quando estou agitado e me perturbam quando estou tranquilo. Hoje recordei dessa beleza de poema, “Where my books go”. Para mim, sempre foi a representação perfeita de uma biblioteca, local onde os livros se encontram e as palavras abrem suas asas e se esticam livremente entre as suas iguais. Mas, a maturidade chegou na minha vida, e assim percebi que o poema vai muito além dos seus propósitos: ele é uma definição de Paraíso. O local onde os livros estão é o local em que meu espírito triste vai encontrar conforto. Além disso, Yeats sintetizou aquele que deveria ser o maior propósito de um escritor: emendar sentimentos quebrados por meio das suas palavras. Trazer luz para uma pessoa envolta por sensações sombrias. Cantar esperanças quando o mundo sufoca ao redor. Dentro de uma biblioteca – ou em qualquer lugar onde exista um livro -, a Morte não entra. O local para onde os livros vão é para dentro do leitor, onde cantam para ele no silêncio da noite. Yeats, sempre inspirador. pppppp Publicado por Gustavo Advogado, escritor e mestre em Letras - mas não nesta ordem. Autor de "O homem despedaçado", livro de contos lançado pela Dublinense em 2011. Ver todos os posts de Gustavo