Memento mori (1)
existencialismo, mortalidade, niilismo
Não esqueça da morte que espreita em cada nuvem negra, em cada rajada de vento. Por maior a coragem e por mais violenta que seja a batalha, um dia serás esquecido, um dia estarás morto. Quando ouvir o trovão, saiba: hoje pode ser o último dia. Quando sentir que não vai resistir aos pingos ou aos tapas do vento, saiba que não existe opção. E se submeta ao fim. O destino ou é ser esquecido em alguma repartição pública ou ser deixado para trás em uma lata de lixo. Sem honra, sem glória, sem agradecimentos – morto. Esquecido. E o inimigo lambendo teus pedaços enquanto ri: logo, matará outro, e mais outro, e mais outro. Irmãos passarão ao teu lado e tentarão te ignorar, fazer de conta que a morte não existe. Estão errados, mas logo aprenderão sozinhos, em outra lata de lixo, abandonados em alguma esquina. Tu nasceste para morrer e para ser esquecido. Lembre somente disto. Publicado por Gustavo Advogado, escritor e mestre em Letras - mas não nesta ordem. Autor de "O homem despedaçado", livro de contos lançado pela Dublinense em 2011. Ver todos os posts de Gustavo
Texto originalmente publicado em Homem Despedaçado