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(continuação)

«Depõe Afrânio Peixoto...»

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«Ela (Infanta D. Maria) conservou-se sempre a uma imensurável distância do poeta, em qualquer das suas fases, quer a do cliente do Mal-Cozinhado, quer a do tarimbeiro estropiado da Índia, morador a Santa Ana. Ela era toda céu, ele todo baldões; ela fausto, ele a mofina negra.»

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«O testamento da milionária.»
«Quanto ao romance Infanta-Luís de Camões, vejamos: Os Lusíadas vieram a lume em 1572; a Infanta fez o testamento em 1577; fechou o codicilo meses depois. Os longos anos que vão do seu regresso a Lisboa até 1579 padeceu o poeta grandes necessidades e sofrimentos, a ponto de se ver obrigado a estender a mão à caridade pública, segundo as biografias mais próximas da data da sua morte. Com as tenças que deixou a Infanta, levaram muitas famílias vida farta. Dos esbulhos pingaram autênticos manás. Locupletaram-se os testamenteiros e com eles os magistrados que poderiam superintender nas disposições codicilares. Durante cinquenta anos, activos enxames de vermes, menos rápidos, mais ávidos porém que os da terra, devoraram a imensa fortuna em desagregação. Tudo o que pôde ferrar o dente ou enterrar a unha não se deteve com preconceitos  de legitimidade. Foi um regabofe.»

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«Luís de Camões, primeiro poeta e primeiro desgraçado do Reino...?! Ignorava!»
Compreende-se, dentro de qualquer lógica, que a Infanta, a mais rica herdeira da cristandade, segundo o testemunho do cardeal Alexandrino, que deixou legados a torto e a direito, a quantos frades e freiras roçaram o merino da sua robe, às próprias escravas negras, se não tivesse lembrado do seu poeta, chegado ao último escalão da desgraça?!»

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