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Abr22
Maria do Rosário Pedreira
A EGEAC, empresa municipal que gere os espaços culturais e as festas e eventos na cidade de Lisboa, teve a ideia de assinalar o início das comemorações dos 48 anos do 25 de Abril com o Projecto 48, pedindo a 48 mulheres (escritoras, cantoras, compositoras) de várias idades e com visões diferentes do que foi a Revolução dos Cravos que escrevessem versos, aforismos, pensamentos ou frases curtas sobre a liberdade que nos trouxe esse acontecimento a que Miguel Real chamou (e bem!) um "rasgão no tempo". Entre elas, encontram-se, por exemplo, veteranas como Maria Teresa Horta contracenando com poetas mais jovens como Marta Chaves, Filipa Leal ou Beatriz Hierro Lopes; uma fadista como Aldina Duarte, que já contou como era difícil a sua vida antes de 1974, a par de uma jovem cantora como Luísa Sobral, autora da única canção portuguesa vencedora do Festival da Eurovisão, nascida já depois do 25 de Abril; a romancista Lídia Jorge, uma voz que sempre se fez ouvir também nos meios de comunicação contra as injustiças sociais, ao lado de outras ficcionistas como Dulce Maria Cardoso ou a mais jovem Djaimilia Pereira de Almeida (nascidas ainda numa Angola portuguesa). Esses pequenos textos estão espalhados agora por muitas artérias da capital, desde o Rossio, a Rua do Carmo, o Mercado da Ribeira ou mesmo a Ribeira das Naus. Por isso, até que a chuva os apague, caminhe pela cidade de olhos no chão porque vale a pena andar por aí a abrilar. A minha frase aí vai, pois também fui chamada à pedra. Obrigada à EGEAC.
