04
Fev22
Maria do Rosário Pedreira
Quando Itamar Vieira Junior recebeu o Prémio LeYa pelo romance Torto Arado, nenhum de nós suspeitava de que isso viraria a sua vida para sempre. Enquanto o livro vendia timidamente em Portugal, como acontece geralmente com a literatura brasileira, arrebatava no Brasil os principais prémios literários, Jabuti e Oceanos, era elogiado pela crítica e, mais do que isso, aparecia nas mãos de cantores famosos ou mesmo nas sugestões de políticos como Lula da Silva. Por aí chegou mais longe, e os editores de outros países começaram a pedir o livro e a querer comprar os direitos, estando Torto Arado vendido neste momento em dezasseis línguas, incluindo o chinês, o inglês e o catalão. Depois, vieram os pedidos de adaptação cinematográfica e teatral, não apenas para o Brasil, mas para espectáculos na Europa, como o que em breve estreará pela mão de Christiane Jatahy, que na segunda-feira passada ganhou o Leão de Ouro na Bienal de Veneza pelo seu trabalho no teatro, que alia o político ao poético. Foi uma felicidade saber que esta carioca que é uma «observadora impiedosa da crueldade do mundo» tem nas suas mãos um livro como Torto Arado. E ainda há-de vir aí o filme ou a série, esperemos para ver, que fará chegar o romance ainda a mais público. Caramba, nunca o júri do Prémio LeYa, ao votar em 2018, tinha ideia desta fantástica bola de neve.