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Fev22

Maria do Rosário Pedreira

Há poucos dias falei aqui de Itamar Vieira Junior e da bola de neve que foi o seu romance que ganhou o Prémio LeYa, Torto Arado, em termos de prémios, traduções e adaptações. Neste fim-de-semana, o autor foi mesmo entrevistado pelo New York Times. E hoje venho dizer-vos que ele regressa aos escaparates com uma coletânea de histórias fascinantes que o confirmam como um grande narrador. Com linguagem poética e estrutura variada e inovadora, as narrativas presentes em Doramar ou a Odisseia são herdeiras da tradição literária brasileira, mas ao mesmo tempo profundamente contemporâneas no tratamento de questões como a destruição da floresta, a exploração dos mais fracos, a construção de muros entre países, as lutas pelos direitos humanos.Tal como sucedia em Torto Arado, as heroínas destas histórias são maioritariamente mulheres obrigadas a lutar contra a adversidade, como, de resto, a Doramar que dá nome ao conjunto; mas também não são esquecidos aqueles que regra geral não têm voz, como os escravos levados de África ou os índios empurrados para fora das suas terras. Este é um livro memorável sobre como as raízes sempre ensombram o futuro. Absolutamente imperdível, reúne textos anteriores e posteriores ao romance que valeu ao autor o Prémio LeYa, o Prémio Jabuti e o Prémio Oceanos.

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