02
Jun20
Maria do Rosário Pedreira
No que respeita ao confinamento imposto em Março por causa da Covid, tivemos, segundo penso (e muitos jornais estrangeiros também sublinharam), um comportamento exemplar. Talvez mais por medo do que por obediência (mas isso agora pouco importa), fechámo-nos em casa e evitámos a catástrofe que podia ter-se abatido sobre os nossos hospitais num momento em que a doença, noutros países, atingia números de mortos e infectados assustadores. Mas agora, que o desconfinamento está em marcha, parece que os ex-enjaulados se puseram todos ao fresco de um momento para o outro e estão a facilitar. Nem falo dos inevitáveis contágios em estruturas industriais, ou bairros onde não é possível, pelas fracas condições de habitabilidade, manter as distâncias, lavar as mãos a toda a hora, pagar máscaras, higienizar espaços, evitar a propagação; falo de uma juventude inconsciente que se abraça pelas ruas e esplanadas e não põe máscara porque tem sempre um copo de cervejinha na mão, achando que nada lhe toca (e se calhar não), mas podendo levar a doença para casa sem saber e prejudicar pais, avós e irmãos. A Feira do Livro de Lisboa regressa a 27 de Agosto, e a notícia, para quem gosta de livros e, sobretudo, trabalha neles, foi um bálsamo num ano em que as vendas caíram a pique e levarão muitos anos a voltar aos números anteriores à Covid. Mas, como o Primeiro-Ministro avisou, pode haver recuo se as pessoas não cumprirem à risca as regras e os casos não pararem de aumentar. Estou aqui a pensar que, se as coisas continuam como nos últimos dias, ainda é possível um cancelamento da feira. Temos de portar-nos bem se a queremos de volta.
Tinha-me esquecido da sugestão, desculpem: pois vou recomendar um livro que publiquei há muitos anos: Está Tudo Iluminado, de Jonathan Safran Foer. Um jovem americano muito esquisito com as comidas (é o próprio autor, de resto) procura na Ucrânia a mulher que terá ajudado o seu avô judeu a escapar aos nazis. Um choque de culturas e um regresso à história da família com personagens realmente especiais. (Obrigada, Bibi, por me lembrar de que faltava a recomendação.)