Sinhá
que desabotoa em pétalas,
as rosas brancas se coram de vermelho
porque ficam envergonhadas com tua beleza...

*

Sinhá
que me faz remoer, que me faz banzar,
que me fazer procurar candeias no escuro,
que me faz engarrafar meus sonhos e guardá-los para mais tarde
porque afinal eu prefiro mesmo é passear de mãos dadas com vancê...

*

Sinhá,
tu te esqueces de mim?
É que te lembro no meio do dia
no meio da noite
no meio do caminho e no final também
e quando vejo um passarinho ligeiro sambando no galho
e quando a lua está bem cheia e me pede uma serenata...
Pena que eu não sei tocar violão!

*

Quem te fez, Sinhá?
Não sei quem te esculpiu e depois ainda por cima
pôs esse vestidinho florido só pra debochar a gente!
Tenho inveja desse teu colar... Queria ficar que nem ele,
agarradinho no teu pescoço o dia inteiro...

*

Sinhá, onde estiver
(não importa),
te procuro
atrás da porta.
Costumo achar nada! Mas eu procuro
teu nome
tua voz
teu rosto
por todas as ruas que passo.

*

Sinhá, será que se eu pedir a Xangô
se eu jongar nos terreiros
se eu tocar os atabaques
se eu arrumar um lencinho teu e amarrar
e colocar debaixo da tua cama sem vancê saber,
eu ganho o teu coração?
Só peço uma esmolinha, um tostãozinho de nada
dos teus beijos... aceito parcelado, até
quando eu morrer de amor!

Gabriel Rübinger