Nunca me tinha passado pela cabeça começar a leitura desta obra de Italo Calvino. Agradeço à Analita e ao grupo de leitura e escrita criativa de que faço parte pela motivação para a leitura deste livro, e agradeço à Maria João, professora e amiga, que me disse que tinha lido e que tinha encontrado algo de especial neste livro.

"As cidades invisíveis" é um romance em que nos deixamos levar numa espécie de jogo, um labirinto que vamos desvendando consoante nos vão surgindo novos pontos de luz, ou seja, desvendadas novas cidades imaginadas por Marco Polo nas visitas diplomáticas a Kublai Kan, imperador dos tártaros. A descrição do caminho e das caraterísticas de cada uma das cidades, é feita com o abuso nas figuras de estilo através das palavras do narrador. As 55 cidades,  que o jovem veneziano descreve na conversa ficcionada pelo escritor permanecerão invisíveis porque são lugares da imaginação. Cada cidade é um local imaginado que destaca determinadas caraterísticas da humanidade. 

O livro divide-se em tipos de cidades, ou caminhos, que são percorridos quase que aleatoriamente: "As cidades e a memória", onde encontramos Diomira com as suas "cúpulas de prata, estátuas de bronze" ou Zarna onde os velhos estão a remendar "as redes", "As cidades e o desejo" ou "As cidades e os olhos" são apenas alguns dos exemplos. A descrição é em simultâneo factual mas também sentimental.

Tive de agarrar a história de uma perspetiva diferente da forma que normalmente faço, com papel e caneta ao lado para não me perder nas descrições e retirar de cada uma delas o sumo que tinham para me dar. Não é uma leitura que recomende aos "fracos". Desisti por várias vezes. Ainda por cima, li em formato digital, o que confesso não é das minhas formas preferidas. Mas cheguei ao fim e, neste em específico, foi uma vitória a celebrar! O livro, escrito por Italo Calvino em 1972, é um livro muito completo e organizado, com uma enorme sensibilidade.