Fotografia da minha autoria

«O fantástico é contado com a naturalidade do quotidiano»

A partilha literária proporciona descobertas e debates muitos interessantes. Embora não priorize tanto o empréstimo de livros, tenho feito algumas trocas com o meu vizinho e foi assim que regressei à escrita de José Luís Peixoto, cuja obra continua a despertar-me imensa curiosidade, pois sinto que tem a capacidade de nos transportar para mundos distintos, fomentando a sensação de sermos parte do enredo.

«Penso: talvez haja uma luz dentro dos homens, talvez uma 

claridade, talvez os homens não sejam feitos de escuridão»

Nenhum Olhar apresenta um estilo poético belo, mas tenho de confessar a minha dificuldade em empatizar com a narrativa, pois pareceu-me um pouco repetitiva em certos pensamentos. Além disso, há uma dinâmica de acontecimentos mais caótica e uma transição entre narradores que pode confundir. No entanto, é inegável que o seu traço emocional nos aproxima, enquanto seres humanos, porque existem circunstâncias e dores que são transversais, independentemente do meio que habitemos. Portanto, leva-nos numa viagem introspetiva, que nos confronta com a nossa natureza, com a nossa fragilidade e, até, com a nossa finitude.

«Não sei o que nos arrasou. Somos ruínas [...] Alguma vez 

teremos sido uma coisa sólida, uma casa viva? Para mim, fomos»

Tendo o Alentejo como cenário de fundo, este livro é feito de silêncios, com uma carga acentuada de melancolia, até porque expõe a solidão, a morte, a pobreza, as angústias, o medo e a dormência de quem abdicou da felicidade. Com personagens inquietantes, é uma história bastante sincera, demonstrando que o nosso olhar esconde um universo de metáforas. Apenas não correspondeu às minhas expectativas.

«O teu olhar ficará no meu olhar quando morrer e, morto, contemplar as planícies que serão o teu olhar a anoitecer lento. O teu olhar ficará nas minhas mãos esquecidas e ninguém se lembrará de o procurar aí»

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