Os fios dos dias meus eu mesma cardo e urdo,
E teço o meu viver com muitos pontos, laços,
Bordando sem cessar todos os seus espaços,
Ainda que p’ra alguns tecer seja um absurdo.
Eu não me importo não, se escuto eu não me aturdo,
eu sigo o meu viver, tecendo os próprios passos,
E se preciso for desmancho, sim, refaço,
Neste fazer sem fim de meu destino surdo.
E faço sem cessar a minha tessitura,
teço co’a luz do sol, no breu da noite escura,
Sem nunca descansar ou demonstrar cansaço.
Coloco em meu tecer mil sedas de ternura,
Buscando conseguir a mais bela textura,
Mas se preciso for, teço com fios de aço!
