Tive na vida o dom concedido

Àqueles espíritos que nasceram pr'arte

Tive em mim um sonho perdido,

Uma cruz levada em toda parte.

Tive na vida ódio, paixão e loucura

Mais dor do que alguma alegria

E o amor que imprimi na escultura,

Repousa comigo na lápide fria.

Tive em vida pouco reconhecimento

Se me lembram, é no eterno sono

Que ninguém vem por um momento

Coroar de rosas o meu abandono.

O que mais tive na vida? Somente o pranto...

Ah, se tive mais, já não o sei dizer!

Como Werther, que amou muito, amou tanto,

Por Rodin, também me vi morrer!