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Nov23

Maria do Rosário Pedreira

Já há muitos anos que ouço dizer que, na América Latina, o escritor mais vezes indicado ao Nobel é o argentino César Aira. Roberto Bolaño, por exemplo, disse que, quando se começava a ler Aira, nunca mais se conseguia parar. Confesso que nunca tinha lido este autor; tenho a  certeza de que haverá livros dele lá por casa (na biblioteca conjugal), provavelmente na língua original, mas há sempre tantos livros que se nos impõem que um ou outro autor acaba ficando para trás. Felizmente, a Cavalo de Ferro publicou recentemente duas pequenas novelas de César Aira e, caso pudessem passar despercebidas, vestiu-as com uma capa amarela berrante, o que foi bom, pois serviu para me chamar a atenção. (E este é um dos livros que a leitora desta blogue que encontrei um dia à porta da FNAC também comprou.) Li a primeira, chamada A Tília (a seguinte é Aniversário), que é sobretudo uma memória de infância do autor com os pais num bairro pobre da província de Buenos Aires. Porém, apesar de bonita e fluida, como as referências ao peronismo são constantes e eu sempre tive imensa dificuldade em perceber o que era exactamente o peronismo (tão depressa de esquerda como de direita, tão depressa de preocupação social como de violência política), digamos que não foi a obra ideal para começar. Para uma história sobre um pai muito especial (como é o de César Aira nesta novela) prefiro de longe o romance de Hector Abad Faciolince, Somos o Esquecimento Que Seremos, editado inicialmente pela Quetzal e reeditado há pouco pela Alfaguara. Vou agora ler Aniversário para tirar teimas.