11

Mar24

Maria do Rosário Pedreira

Sei que a maioria dos leitores deste blogue não costuma ler poesia. Sei-o até pela ausência de comentários quando é sobre poesia ou livros de poesia o post que aqui escrevo, mas não desistirei  nunca de a mencionar, até porque acho que, em muitos casos, existe apenas preconceito e que a leitura de certos poemários tirarariam da boca de muitos o tal «não gosto de poesia» que tantas vezes vejo escrito ou ouço. O livro que hoje vos trago é, de resto, obrigatório para quem queira passar uma horas boas ou simplesmente espreitar de vez em quando. Porque reúne o melhor, a nata da nata, de muitos pequeninos livros dispersos por editoras várias e nem sempre fáceis de encontrar. Falo de Taludes Instáveis (Poemas Escolhidos), de José Carlos Barros (autor que já ganhou o Prémio LeYa com o romance As Pessoas Invisíveis), que foi prefaciado por Francisco José Viegas, outro autor de poesia e prosa e, além disso, um conterrâneo, uma vez que ambos os escritores são transmontanos e entendem muito bem a Natureza de que falam. José Carlos Barros, que foi um do autores descobertos pelo DN Jovem (como Riço Direitinho, José Luís Peixoto e tantos outros) é, quanto a mim, um dos poetas mais significativos da contemporaneidade e foi um prazer poder fazer este livro com ele. Já está, de resto, na minha cabeceira. Para ler e saborear aos poucos. Imperdível. Deixo-vos a capa e um cheirinho:

Pedia-te apenas

Lembro-me desse tempo em que dizias

«faço tudo por ti meu amor».

E eu pedia-te apenas que te suspendesses das nuvens

ou que caminhasses vagarosamente sobre as águas

dos grandes lagos

da península.

9789722081351_taludes_instaveis.jpg