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Jul24
Elsa Filipe
Neste livro de John Shors encontramos um Hindustão imperial, subjugado a duros valores e regras cruéis. Shah Jahan, imperador do Hindustão, perde em 1862 a sua amada esposa, Mumtaz Mahal. Consumido pela intensa dor que a partida do seu braço direito lhe provoca, ordena a edificação de um grande mausoléu que simbolizasse a grandeza do amor entre os dois e a beleza da sua mulher.
Uma das suas filhas, a princesa Jahanara, conta na posteridade às suas netas a extraordinária história da edificação do Taj Mahal, descrevendo como foi a sua própria vida, contando as peripécias que teve de enfrentar e de como se apaixonou pelo responsável pela construção do Taj Mahal, apesar de ter casado com um homem que lhe foi imposto. Jahanara, não sendo pretendente ao trono, vê-se no meio da tentativa de Aurangzeb, seu irmão, de chegar ao trono. Aurangzeb é um homem cruel e que usa como principal arma o terror, mandando matar todos os que se coloquem no seu caminho.
Para sobreviver mas, principalmente para ajudar o pai e um dos irmãos, Jahanara tem de fazer, ao longo da sua vida, escolhas praticamente impossíveis e é através delas que descobre o verdadeiro significado de ser filha de quem é.
Neste livro, é contada a verdade secreta por trás do grandioso Taj Mahal. O monumento, fica situado em Agra, na Índia foi considerado em 1993, património Mundial da Humanidade pela Unesco e, desde 2007, é também considerado uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno. Sobreviveu aos tempos e a várias guerras, mas está agora ameaçado pela poluição. Tal como contado no livro de Shors, a edificação deste monumento junto ao rio Yamuna, em Agra, aconteceu "entre 1632 e 1653 com a força de cerca de 20 mil homens, trazidos de várias cidades do Oriente." Numa época em que a guerra era uma constante diária, Shah Jahan manda erguer este mausoléu em honra da sua "esposa favorita, Aryumand Banu Begam, a quem chamava de Mumtaz Mahal" - que significa "A joia do palácio" e que morreu no parto do seu 14º filho. (Na época, era normal que o Imperador tivesse várias mulheres e que estas se relacionassem e convivessem umas com as outras).
É um livro que, apesar de se basear numa lenda, caba por trazer até nós, a dura realidade de uma sociedade cruel, em que toda uma família pode ser morta se um dos seus membros cometer um crime, em que se recorre a castigos corporais implacáveis e em que a mulher deve ser submissa, mas onde apesar de todas as dificuldades, o verdadeiro amor pode acontecer. Mesmo sabendo que Jahanara sobrevive - uma vez que é ela mesma a contar a sua história - são vários os desenlaces surpreendentes.
Fontes: