Conheci o tipo de escrita de Anita Shreve ao ler "A praia do destino" pela primeira vez em julho de 2006, e foi desde logo uma escritora que me cativou. Por algum motivo, gostei da sua forma de descrever os acontecimentos e espaços.
A história decorre no final do século XIX, em Boston, Massachusetts. Olympia Biddeford é a filha única de um proeminente casal – uma jovem precoce a quem o pai afastou das instituições académicas com o objetivo de lhe garantir uma educação refinada e pouco convencional. No Verão de 1899, Olympia tem quinze anos e a sua vida está prestes a mudar para sempre.
Cheia de ideias e entusiasmada com os primeiros arrebatamentos da maturidade, é admitida no círculo social do pai, que contempla artistas, escritores, advogados e, entre eles, John Haskell, um médico carismático. Entre ambos nasce uma impensável e arrebatadora paixão. Sem ter em conta o sentido das conveniências ou da auto-preservação, Olympia mergulha de cabeça numa relação cujos resultados serão catastróficos - John tem quarenta anos, é casado e pai de quatro filhos.
Um romance que deve ser lido com a consciência da época e dos costumes a que se refere, mas que é uma história de amor, de tentativa de procurar a felicidade, apesar de todos os entraves que as personagens têm de enfrentar. É um livro que nos conduz também a uma visão erótica da mulher.
Acaba por ser um romance com uma linguagem rica e descrições detalhadas, que nos permite criar uma imagem muito "realista" das personagens e das suas ações e dia a dia. Não é um romance convencional uma vez que vai abordar alguns tópicos que podem até levar ao debate e à discórdia.