Fotografia da minha autoria

Tema: Um livro relacionado com comida

As histórias podem ser doces, mas também podem ter um travo mais picante, dependendo dos condimentos que o artista quiser utilizar como trunfo. Mas, tal como na culinária, acredito que o resultado é mais saboroso quando há um certo equilíbrio na escolha de ingredientes, para que a experiência seja memorável. Assim, para o tema de novembro de Uma Dúzia de Livros, quis regressar a Dorothy Koomson, aventurando-me num exemplar que ansiava que combinasse o melhor de dois mundos.

«Acabava de descobrir que sem chocolate 

sou incapaz de trabalhar sob pressão»

Amor e Chocolate, contrariamente aos outros dois títulos que li da autora, apresenta uma narrativa descontraída. E conquistou-me, de imediato, pelo sentido de humor e pelo sarcasmo da protagonista. Aliás, várias foram as passagens que me fizeram rir: pela pertinência, pela autenticidade e pela proximidade do discurso. Além disso, é mesmo interessante o facto de associar o chocolate a tudo o que acontece na sua vida, seja por uma questão de necessidade, seja para validar determinados comportamentos e/ou características de alguém. No entanto, confesso, estava à espera de ser arrebatada e tal não se verificou, pois senti o enredo um pouco previsível e com uma elevada dose de drama irracional. Porém, centra-se em questões importantes.

«- Estás sempre a pedir desculpa, 

mas continuas a fazer o mesmo»

A escrita familiar e credível faz-nos refletir sobre o quanto o passado pode alimentar as nossas inseguranças, sobretudo, caso existam feridas mal saradas. Em simultâneo, confronta-nos com o medo do compromisso, com a nossa urgência em fugir, sempre que as circunstâncias se complicam e com a dúvida inerente às segundas oportunidades: até que ponto devem acontecer? Desconstruindo a certeza de que todas as ligações têm de duram uma vida inteira, ajuda-nos a compreender que as pessoas mudam e que, por isso mesmo, as suas estradas nem sempre encaixam e os objetivos deixam de ser compatíveis. Embora custe a aceitar, faz parte, porque é uma consequência do nosso crescimento e de fortalecermos a nossa identidade e os nossos limites.

«Púnhamo-nos sempre uma à outra em primeiro 

lugar e ele sabia que não podia competir com isso»

Outro aspeto chave reside no alerta para os efeitos da falta de comunicação e para a recorrência com que colocamos os outros em primeiro lugar. Por outro lado, mostra o quanto é ingrato sentirmo-nos na obrigação de escolher entre a amizade e o amor; e a postura inflexível que assumimos perante situações transversais a ambas as componentes relacionais, uma vez que tendemos a manter critérios distintos [fundamentados no tempo da relação]. Contudo, é essencial escutarmos as duas partes, pois nenhuma história tem uma só versão.

«Era tudo o que eu queria, que ele percebesse 

que a minha família era como uma caixa de bombons»

Amor e Chocolate foi uma leitura morna, mas não deixarei de a recomendar, porque diverte e proporciona-nos algum conforto. E, acima de tudo, é um enredo sobre crescimento e sobre a necessidade de mudarmos de dentro para fora, fomentando uma mensagem imprescindível.

«Como esperamos ser tratados quando 

não nos defendemos a nós próprios?»

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