18
Jul25
Maria do Rosário Pedreira
«Gabo» é a alcunha por que chamavam os amigos e os mais próximos a Gabriel García Márquez, o autor colombiano que escreveu livros incrivelmente imaginativos e que é o autor do mítico (em todos os sentidos) Cem Anos de Solidão, com os inesquecíveis Aureliano Buendía e o cigano Melquíades. Falo deste livro também para vos contar que ele foi inicialmente lançado não na Colômbia, mas na Argentina, país de leitores, e que foi a partir do seu sucesso nesse país que chegou a Espanha e rebentou com tudo, tornando-se depois um êxito mundial. Mas em Barcelona, antes disso, ninguém tinha visto Gabo nem sabia como ele era; e, num livro que o Manel anda a ler (e eu lerei logo a seguir) sobre a vida de Beatriz de Moura, a editora da emblemática Tusquets em Espanha, conta-se que ele aparecia em festas e eventos, e que andava tudo muito intrigado sobre quem seria aquele colombiado baixote de caracóis que vendia haxixe... Só um tempo depois, numa grande festa da Agência Literária Carmen Balcells (que o haveria de representar até hoje), o grande García Márquez foi apresentado ao mundo literário espanhol e ganhou a amizade de muitos escritores e editores. Beatriz de Moura, de resto, foi quem o convenceu a publicar os folhetins de Relato de Um Náufrago, que tinham saído semanalmente num jornal, em livro (que tenho em casa na colecção preta da ASA). Um vendedor de haxixe que ganhou o Nobel...