QUARTO ESCURO
Estou demasiado perto
das coisas que não existem.
Devoro os meus animais
e dou ar ao mundo,
com um dos seus cantores fascinados.
Sobre o que dissemos ontem, os dentes mais felizes.
E misteriosamente os braços são lindos.
Imaginam o que comiam se eu fosse
uma criança perfeita,
e têm pêlos repetidamente fáceis de pensar.
Mas os outros já não existem na morte.
Tento acender outras imagens devoradas pelo tempo.
E sei que é por tua causa
que esta noite existe e se repete
a vida inteira.
Joaquim Cardoso Dias
in antologia Tantas Mãos, A Mesma Primavera

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