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Jul25
Maria do Rosário Pedreira
Os tempos são outros, e o escritor não tem outro remédio senão sair da sua torre de marfim e dar-se a conhecer ao seu público potencial: ter sites na Internet onde noticia prémios e actividades, ir às livrarias e bibliotecas conversar com os leitores, ter páginas nas redes sociais em que publica posts sobre onde vai estar e o que anda a escrever. E, como é aí que as pessoas mais estão e mais lêem (infelizmente nem sempre um texto de mais de dez linhas), é também aí que, sem pagarem direitos, passam a vida a partilhar o trabalho dos escritores. E estes recebem hoje cada vez menos por essas e por outras (os poetas são umas vítimas, alguns têm todos os seus livros partilhados às postas no Facebook). Vai daí, em muitos países, os escritores aderiram aos «substacks literários», uma forma de ganharem dinheiro, criando newsletters em que os subscritores (fãs e leitores) pagam uma renda mensal ou anual para saberem tricas, lerem obras que o autor ainda não publicou em primeira mão, conhecerem as suas opiniões sobre a actualidade, terem direito a livros autografados antes de toda a gente, enfim, uma data de privilégios que são exclusivos para essa comunidade e que, no fundo, também dão de comer ao autor. O The Guardian traz um interessante artigo sobre estes procedimentos que conta como tanta gente é capaz de pagar entre 35 e 150 libras por ano para estar mais perto dos seus escritores de eleição. Fixe a palavra «substack», um dia destes chega cá e depois nada será como antes. O artigo pode ser lido aqui: