Granta (J.P.Cuenca) – II Semana

Livro Granta   Português
Semana II
Conto Antes da   Queda. Este conto faz parte do romance ainda não publicado pelo autor.
Autor João Paulo   Cuenca
Contexto O conto narra   a desilusão de um morador do Rio de Janeiro com a crescente descaracterização   da cidade. O personagem principal, Tomás Anselmo, convive com o dilema  de deixar sua cidade natal, sua história de   vida, amigos, família ou conviver com a transformação da cidade. O conto se   passa alguns anos à frente dos dias de hoje e é uma crítica à realidade   carioca.
Trechos […] Nos anos dez do século XXI, mais discreto e   eficaz que derrubar os barracos dos morros da Zona Sul foi militarizar a   área,construir muros de três metros de altura nas fronteiras das favelas e   retirar gradualmente o oxigênio dos seus moradores. Do processo inicial de   asfixia fizeram parte reformas que maquiaram o improviso, encareceram a área   e abriram vielas que sangram pelo morro, para a chegada de novos   personagens:oficiais das Forças Armadas brasileiras e suas ramificações   mafiosas, empreiteiros, agentes imobiliários, estrangeiros, novos   capitalistas, bancos, imprensa, bistrôs, galeria de arte abstrata, American   Apparel, loja de fronzen yogurt japonês no lugar do velho sapateiro,   estudantes de design sustentados pelos pais ocupando sozinhos o ex-barraco   onde vivia uma família de seis e agora é um Luxury Loft, um Upscale Cond’s,   um cubículo elegante com vista lateral para o mar e 350 mil dólares por 25   metros quadrados. Tratava-se da versão carioca de gentrificação, a ocupação   de uma área urbana degradada por moradores de uma classe social mais rica com   o afastamento de seus habitantes originais:Hackney,Greenwich   Village,Williansburgh,Kreuzberg,Canal Saint Martin,Vidigal,Cantagalo,   Rocinha, Pavão-Pavãozinho, Chapéu Mangueira,Providência, Saúde.

-Parece com arte.É difícil explicar exatamente o   que é, mas você reconhece quando vê. – disse certa vez Tomás Anselmo   apontando para o primeiro Starbucks no Morro da Rocinha, inaugurado no verão   de 2015.

Por que escolher este conto Escolhi este conto porque nunca tinha lido uma crítica   tão forte sobre o crescimento da cidade do Rio de Janeiro. Cuenca fala das   transformações ocorridas na cidade desde as obras de desenvolvimento para que   se tornasse a capital do país até os atuais preparativos para Copa 2014 e   Olimpíadas 2016. Particularmente me chamou a atenção o trecho em que critica   a estátua de bronze de Carlos Drummond de Andrade, no calçadão de Copacabana.   Estive no Rio no ano passado e fotografei a estátua que no banco em que o   poeta “descansa” tem escrita a sua frase “No mar estava escrita uma cidade”.   Até ler o conto não havia me dado conta que o poeta está de costas para o mar,   realmente como escreveu o autor parece que Drummond foi condenado à privação   da paisagem que tanto lhe inspirou.