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Editora Gutenberg – 2015 – Ficção norte americana – 253 páginas – Nota 4.

Olá, leitores lindos!

Comprei este livro porque blogs literários que gosto elogiaram bastante. Se não quiserem saber exatamente o tema abordado, por gentileza, não continuem lendo.

Na teoria, trata-se de um romance juvenil, na prática é um livro sobre violência doméstica. Escrito em primeira pessoa, é fácil de compreender a protagonista. Grata surpresa, trata como pano de fundo, o feminismo e o enredo é sobre abuso físico e psicológico. Na minha visão, o contra do livro é por parecer um livro juvenil para o público adolescente. Fiquei ressabiada, mas os assuntos apresentados me chamaram à atenção. Um tabu, como todos sabem e é essencial falar-se sobre. Palavra chave: Relacionamento abusivo. Um dos poucos livros que me arrependi de ler resenhas antes e explico o porquê. Porque se não soube do que se trata, a primeira vista eu acharia que é sobre o primeiro amor. E teria grandes surpresas, mas o fato é que desde o início da história eu já sabia o que esperar e o que viria. Perdeu no suspense, mas acredito que se eu não soubesse o tema, provavelmente nem leria o exemplar.

Nas primeiras páginas, você conhece Alex, a protagonista é uma menina comum que está no colégio, tem dois melhores amigos inseparáveis desde sempre, duas irmãs com quem não tem um ótimo relacionamento, um pai ausente e uma mãe falecida que esconde mistérios. Alex conhece Cole, que é seu novo aluno no reforço da escola e se mudou há pouco para o bairro. De cara, Cole é um rapaz incrível, atencioso, educado, gentil, bonito, esportista e inteligente. Enfim, um ótimo sujeito na visão de qualquer mocinha. Mas rapidamente percebe o engano. O famoso ditado sobre as aparências. Alex se apaixona pelo novo aluno da escola e se sente envolvida pelo seu jeito fofo. Mas me irrita por colocá-lo como prioridade tão fácil e abandonar os amigos e hábitos por isso. Mas eu já fui jovem e sei como é, não foge à realidade. Ele se mostra muito protetor, até demais, sufocando desde o começo. Ciumento, controlador de forma sutil já no início do namoro. Os diálogos infantilizados me soam ultrapassados, mas a leitura é fácil e ágil. Não estraga o enredo, ainda que não me cative. Encontrei pouquíssimos erros de português. Cole vai anulando Alex aos poucos. De todas as formas. Para quem lê a história é tão nítido que me questiono se eu enxergaria tudo isso, assim fácil se fosse na vida real, com pessoas reais. O tratamento de Cole com a mãe demonstra todo seu machismo. Já o pai dele é um espelho de si mesmo. Incomodou-me eles serem jovens na história porque embora seja apenas um exemplo, significando que traços da personalidade de desenvolvam, parece que a história só acontece pela imaturidade de ambos, o que sabemos que não é e acredito que a autora não quis representar isso, assim espero que as pessoas entendam. O abuso aceitado pela vítima nada tem conexão com o fato dela ser jovem. Muitos fatores determinam os comportamentos humanos. A dependência emocional nada tem a ver com a idade de Alex. Insegurança, medo, vergonha, empatia e compaixão são sentimentos humanos.

O livro traz diversos acontecimentos que a psicologia explica e durante a leitura apreciei o que a autora apresentou. Fala de repetições de padrões, traumas passados, família desestruturada e como isso afeta. Expõe padrões de comportamentos que até um leigo consegue detectar facilmente, como eu.

“Perdê-lo agora significaria que todos os sacrifícios tinham sido em vão.” Página 177.

Mulheres que sozinhas tentam “salvar um relacionamento” porque é o que a sociedade espera e impõe a elas. O fracasso sempre é atribuído ao sexo feminino. Sombrio, secreto, dominador, manipulador e doente seriam palavras para descrever Cole. E Alex sempre precisando inventar desculpas para si mesma para justificar os atos dele. Eu poderia associar a palavra ingenuidade a ela, mas não o faço porque acho que vai muito além disso. A vítima se culpando é um clássico. Ser isolada aos poucos de todo o mundo, ser dominada a tal ponto de perder sua identidade. Ter vergonha como se fosse a responsável pelo comportamento alheio. Ao final do livro, descubro que a autora é formada em Psicologia e fez trabalhos de curso sobre o tema, o conhecendo muito bem, o que eu já devia esperar. Por isso o livro trouxe tanta riqueza no texto. Há perguntas sobre o assunto nas últimas páginas respondidas por um especialista.

Para finalizar, relacionamento abusivo é algo que acontece muito e pior, de forma velada, assim como o estupro, abuso sexual e o machismo, que a sociedade esconde. Minha opinião é que todo homem agressivo deva ser tratado porque medidas judiciais apenas, aqui no país, não bastam para evitar tragédias, não funcionam se o agressor não perceber o problema grave que tem. E pesquisarei mais sobre o assunto, pois estou bastante interessada. Acredito que toda mulher saiba ou pelo menos conheça algum relacionamento abusivo durante a vida e é necessário conversar amplamente sobre o assunto na esperança de que algum dia as coisas melhorem. Quem já escapou de um relacionamento assim, com abuso físico e/ou emocional, sabe bem detectar as situações e comportamentos do gênero. E sabe o quanto uma pessoa pode ser influenciada e levada a acreditar que todo o mundo está errado e apenas o manipulador está correto. Alex passou por isso e eu um dia já passei também.

Bjos e até o próximo post.