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Set10

Maria do Rosário Pedreira

Quase toda a gente conhece a gaffe de Santana Lopes (ou do seu assessor) ao pedir que agradecessem a Machado de Assis a oferta de um exemplar do Dom Casmurro (um romance delicioso) que lhe tinham enviado. Mas não é a única. Sei de várias histórias em que jornalistas pediram entrevistas a escritores mortos – e alguns destes jornalistas não eram estagiários, mas pessoas conhecidas e reputadas, que assinavam crónicas em jornais diários e apresentavam programas na televisão. Das que ouvi não posso jurar se são ou não verdadeiras; mas nunca me esquecerei de, no ano em que Portugal foi país convidado da Feira de Frankfurt, uma senhora alemã ter pedido uma entrevista com António Vieira. Pensámos que se tratava do etólogo e psiquiatra António Bracinha Vieira, que também é ficcionista. Mas não: a senhora queria mesmo encontrar-se com o defunto autor dos Sermões e outra obra vasta e maravilhosa. Como não organizávamos sessões espíritas, não foi possível…