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Dez22
Maria do Rosário Pedreira
Como acontece todos os anos por esta altura, os jornais já começaram a publicar nos seus suplementos culturais as listas dos melhores em todas as áreas: livros, cinema, teatro, dança, música, exposições... Não resisto a passar os olhos por este tipo de trabalho, embora me pergunte sempre para que é que isto realmente serve. Nos casos de exposições ou espectáculos, raramente os escolhidos continuam a poder ver-se: as mostras foram mostradas durante um determinado período numa certa galeria e quem as viu pode sentir-se cheio de sorte, mas quem não as viu ficará frustrado porque elas já são apenas história; e o mesmo acontece relativamente às artes ditas performativas, porque raramente as companhias de teatro e dança fazem itinerância, até porque os cenários nem sempre são transportáveis... Sobram geralmente os filmes, que mais cedo ou mais tarde ficam disponíveis em DVD ou streaming; a música, que pode ser ouvida sobretudo em plataformas, já que os CD estão a desaparecer; e os livros, mas estes ficam cada vez menos tempo nas livrarias, o que pode fazer com que algum dos eleitos pelos críticos, se tiver sido publicado no primeiro semestre do ano, seja quase impossível de encontrar. Mas, além disso, sabemos que as escolhas são sempre viciadas, porque nenhum crítico consegue ver tudo, ouvir tudo e ler tudo, votando sempre no que conhece e deixando de fora coisas importantes, só por não lhes ter posto a vista em cima. Ora, sabendo tudo isto, sou atraída pelas listas... Porque será?