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Dez22
Maria do Rosário Pedreira
Já passou muito tempo desde que, pela primeira vez, falei aqui de um trabalho que estava a fazer com a fadista Aldina Duarte a convite do Museu do Fado. Tratava-se de antologiar os autores ditos eruditos que escreveram propositadamente para a canção portuguesa ou aos quais os fadistas, sobretudo Amália (que é quem começa quase tudo o que é novo e atrevido no fado), surripiaram poemas para cantar. O trabalho foi moroso, porque havia realmente muito mais autores do que esperávamos e, além do levantamento, a escolha foi muito difícil, pois tivemos de deixar de lado talvez metade dos textos encontrados por termos um limite de páginas para a colectânea. Depois, foi a parte dos direitos, sempre muito complicada, sendo preciso contactar autores e herdeiros, o que, em alguns casos não correu tão bem como gostaríamos, fosse porque não se encontravam descendentes, fosse porque filhos ou viúvas queriam mundos e fundos pela licença de publicar um poema e não era possível, numa antologia com oitenta autores ou mais, aceitar essas loucuras, até por uma questão de justiça. A pandemia também interrompeu o processo, atirando a edição para mais tarde, mas eis que finalmente aí está Esse Fado Vaidoso, de que, passe a imodéstia, estou vaidosa e que é amanhã apresentado no Museu do Fado por Rui Vieira Nery. A Aldina cantará três fados do livro na sessão. Obrigada à Aldina Duarte, ao Museu do Fado, à minha editora e, claro, aos muitíssimos autores dos textos da antologia. Foi um prazer fazer este trabalho. Espero que gostem.
