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Dez22
Maria do Rosário Pedreira
Na sexta-feira passada, fui, como aqui julgo ter dito, ler poemas alusivos à paz numa sessão comemorativa dos Direitos Humanos. Na verdade, para falar da paz, escrevi sobre a guerra; e li, fundamentalmente, textos que falavam das crianças que perdem as mães, das mães que perdem os filhos, e de como os livros (a arte em geral, digamos mais concretamente) nos podem mostrar todas as guerras sem nunca lá termos estado. Os poemas que li eram meus, mas durante o fim de semana estive a ler exaustivamente um pequeno livro precioso e quase me arrependi de não ter lido na sessão os belíssimos poemas desse livro. Trata-se de Aprender a Usar a Baioneta em Tempo de Guerra, de António Tavares, com desenhos magníficos de Alfredo Luz, publicado pela Húmus, uma pequena editora com livros muito bons. Os poemas falam da guerra, de todas as guerras, e fazem-no de uma forma que tem dentro realismo, surrealismo e romantismo, o que é raro encontrar junto num mesmo texto ou livro. Espero que o autor prossiga na poesia, que é mesmo muito boa, e que tenha leitores para ela, porque merece. Deixo-vos apenas uma pequena amostra, mas leiam o resto e ofereçam a quem gosta de poesia. É uma voz diferente e nova que é bom encontrar.
Rendição
Se adivinhares os dias
e as palavras certas
com que se abre o meu coração,
cá estarei, rendido
entre o mar e a montanha,
à espera da tua mão,
dessa que prometeste
que me davas,
mesmo ferido,
quase morto,
numa tarde de verão.