Por José Leonardo Ribeiro Nascimento
Eu comentei no post Os Noivos, de Nelson Rodrigues, sobre o final da história, que desgostei bastante. Ontem à noite li esse pequeno conto do argentino Jorge Luis Borges e fiquei aturdido com o desfecho que ele deu à história. Não é um final surpreendente do ponto de vista narrativo. Não acontece uma reviravolta. Tudo transcorre segundo o ritmo que ele mesmo determina desde o início. Uma moça, Emma Zunz, recebe uma carta que informa o suicídio do seu pai, e a partir desse momento ela planeja uma vingança contra seu patrão, o homem que julga responsável pela tragédia.
O conto é muito curto – quatro a cinco páginas – e toda a habilidade do mestre está evidente. Mas é o final, a última frase que revela: aqui quem vos fala é um gênio.
Como falei, não é uma reviravolta na trama, mas uma simples sentença do autor, revelando seu modo privilegiado de observar aquele mundo. Um comentário espirituoso, perspicaz, que deixou o gosto do conto por muito tempo na minha boca…
Esse conto está em O Aleph, que, para minha satisfação, ganhei recentemente.