Miguel de Freitas é um interessante poeta que escreve em exclusivo para a Casa dos Poetas formando assim o seu Livro Inédito. Depois do sarcástico Portugal Contemporâneo, eis os poema de hoje:

PELO MEU PÊLO

São outra vez as casualidades da memória, dizias-me.

Não me sinto levar as minhas costas, é verdade, e

os meus olhos desaparecem na saliva que uso

para as palavras que te faço incompletas.

Onde estão as palavras?

Algumas ainda saem amassadas para a atmosfera, e

eu pouco as vejo.

Agora passas a tua mão pelo meu pêlo, não creio que sejam

as casualidades da memória hoje,

Hoje são as minhas costas e cada borbulha que espremes

ou cada pedaço de pele que retiras.

Quando acontece, algo me pesa mais.

Talvez os pequenos significados das palavras que voaram

regressem como um pássaro novo da primavera.

Miguel de Freitas

In Livro Inédito

 

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