05
Set25
Maria do Rosário Pedreira
Grande foi a polémica quando o Prémio Nobel da Literatura foi atribuído a Bob Dylan. Além de ele ser autor de canções, só tinha escrito duas ou três obras ditas literárias; e para a maioria das pessoas que acompanha a literatura contemporânea pareceu injusto. Sérgio Godinho, porém, achou muito bem, defendendo que um escritor de canções é efectivamente um escritor e que a canção é um género como qualquer outro, não necessariamente menor. Já não ficámos tão surpreendidos quando o Prémio Camões foi entregue a Chico Buarque: ou por já estarmos habituados, ou pelos olhos azuis e a beleza do homem, ou porque a língua portuguesa se faz bonita poesia na voz do cantor brasileiro, ou porque ele escreveu vários romances bons e isso lhe dá o direito a ser considerado um grande escritor. E este ano a Feira do Livro do Porto, depois de ter homenageado uma data de poetas e romancistas naturais da Invicta (Ana Luísa Amaral, Agustina, Mário Cláudio...), lembrou-de de eleger como escritor homenageado Sérgio Godinho no ano em que faz 80 anos, com uma programação alusiva à sua vida e obra, que inclui alguns livros de ficção, um dos quais recente, sobre suicidas, mas é sobretudo feita de maravilhosas canções. Pergunto apenas porque não ganhou um prémio (literário, pois claro) Leonard Cohen, que também merecia tanto? (A Feira do Porto acaba no próximo domingo, só para avisar.)