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«Desde então até hoje, a controvérsia não mais se extinguiu; os séculos XVII e XVIII são pródigos em exemplos, de que vale a pena recordar alguns, sem pretensões de exaustividade: para Sanderson (1658), boa poesia é a que reproduz pictoricamente o real; para André Félibien (1676), as palavras são "comme autant de coups de pinceau, qui forment dans l'esprit les imagens des choses"; Dryden (1695) postulava que os poetas deviam estudar quadros e estátuas antes do trabalho de composição; e Pattie dizia que "the best poets are the most picturesque".»

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«A crítica contemporânea herdou as matrizes desta controvérsia e aprofundou, de alguma forma, as suas contradições.»

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«... O século de Camões foi um daqueles em que o debate do velho lema horaciano foi mais intenso e em que a contenda sobre a proximidade entre a poesia e as artes plásticas e sobre a supremacia de uma em relação às outras foi mais contundente. O nosso épico não se quedou, por certo, à margem dessa disputa nem a ela ficou alheio; prova-o, desde logo, como acima se viu, a referência à "poesia muda" e à pintura que fala", conceitos que, como se viu, Plutarco atribuía a Simónides. A ser assim, é de crer que Luís de Camões não tenha sido insensível, na sua produção literária, sobretudo num poema que, pelas suas características, possui forte pendor descritivo, a esta tentação de aproximar a poesia e a pintura e tornar o seu texto "legível ao olhar".»

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