

Como a pintura é a poesia; coisas há que de perto mais te agradam e outras, se a distância estiveres. Esta quer ser vista na obscuridade e aquela à viva luz, por não recear o olhar penetrante dos seus críticos; esta, só uma vez agradou; aquela, dez vezes vista, sempre agradará.
Horácio, Arte poética.

«Um poeta como Ariosto defendia que, em boa verdade, o conhecimento dos modelos clássicos por parte do pintor o tornava, necessariamente, dependente dos poetas.»
«Para Leonardo da Vinci, a poesia, do ponto de vista da capacidade expressiva, fica muito aquém da pintura. Superlativa Leonardo o papel do olhar na percepção da beleza; os olhos são a janela da alma, e a pintura, a única arte verdadeiramente visível, é, também, a única capaz de imitar a aparência real das coisas. Procuram os poetas, é verdade, rivalizar, neste domínio, com a pintura; os meios de que dispõem são, porém, de inferior qualidade, pois bem menos pode a imaginação do que a vista.»
(continua)