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Dez24
Ensaios. 2008. Leituras Camonianas. Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos.
Manuel Pinto


«A contenda manter-se-á ao longo do século XVI, com os homens de letras a defenderem justamente o oposto.»
«O humanista Benedetto Varchi, em 1549, afirmava que era maior a dependência de pintores em relação a poetas que destes em relação àqueles, pelo que o sucesso de Miguel Ângelo nos tectos da Capela Sixtina deveria, em boa verdade e por uma questão de justiça, ser repartido com Dante que, muito antes, havia já pintado os mesmos motivos.»

«Portugal, entretanto, não ficou à margem deste debate. Especial referência merece Francisco de Holanda, também ele um pintor e que presenciou, por certo, a evolução da polémica em Itália, se é que nela não teve, mesmo, parte activa, durante a sua permanência por terras transalpinas, entre 1537 e 1547.
Apesar de se tratar de um pintor, Francisco de Holanda, nos seus Diálogos de Roma: da pintura antiga, dados a conhecer a D. João III antes da data da partida de Camões para a Índia, reflecte, no seu segundo diálogo, ambas as posições em confronto: Lactâncio, um dos interlocutores, faz valer as razões da poesia; e ele próprio faz a defesa dos pergaminhos da pintura, assim sugerindo, sem ambiguidades, qual a posição que adopta ou que, pelo menos, mais merece o seu apoio.»
(continua)
publicado às 17:56