Pai: quando falava no futuro
A que se referia – ao meu tempo?
Nunca, na ascensão em espiral
De qualquer culto,
Dominámos um frouxo de tosse.
Abro o livro (o seu era L’espoir):
Se o malogro das personagens não é certo,
Por certo o é o do autor.
Bem sucedido, morrerá: fim.
É isso nennhum estilo o redime.
Sorrio congeminando
Que o seu tinha uma encadernação durável.
Os meus filhos sorrirão doutra coisa.
Eis como o sorriso propaga.
poema que integra a antologia o futuro em anos-luz (100 anos - 100 poetas - 100 poemas), com organização e selecção de valter hugo mãe. (edições quasi)
Sebastião Alba, pseudónimo de Dinis Albano Carneiro Gonçalves(1940 - 2000), poeta português nascido em Braga e naturalizado moçambicano. Viveu grande parte da sua vida em Moçambique, tendo regressado a Portugal em 1984, depois de mais de trinta anos em África. Faleceu com sessenta anos vítima de atropelo na estrada. Pouco depois é encontrado um bilhete dirigido ao irmão:
«Se um dia encontrarem o teu irmão Dinis, o espólio será fácil de verificar: dois sapatos, a roupa do corpo e alguns papéis que a polícia não entenderá»