Soneto da ressaca eterna
poesia, morte, literatura brasileira, vida boêmia
Xico Sá Aqui jaz, oh generosos vermes Sem mais nem menos, sem trégua, Se nada foi dentro dos conformes Faz favor, seu garçom, passa a régua. Adeus carcaça de estragos épicos À Velha da Foice, minha deferência, Adeus amores, oh sussurros líricos Prevariquei, mil perdões, paciência. Assim me despeço, oh ressaca eterna, Sob a luz derradeira da aguardente E o gemido final dos umbrais na caverna Alma vendida na barca de Gil Vicente Deixo meu lema aos novatos da taberna: Bebi para carajo, escrevi socialmente. Xico Sá, Crato, 1962
Texto originalmente publicado em Revista Fina