Juntando as palavras: Wal Mart – Ninguém quer comprar aqui!
Wal Mart – Ninguém quer comprar aqui!
Na última sexta-feira no retorno do trabalho para casa combinei com minha mãe que lhe daria uma carona, porém precisaríamos nos encontrar em um ponto que fosse comum entre os nossos distintos trajetos de retorno para casa. Então decidimos que nos encontraríamos no supermercado Nacional do bairro Teresópolis, assim eu aproveitaria para fazer umas comprinhas: pizza e vinho para uma noite que prometia ser fria e chuvosa.
Chegando lá, levei certo tempo até encontrar tudo que precisava, pois não tenho o hábito de fazer compras ali, a mãe chegou e preferiu esperar do lado de fora para não ter que deixar a sacola no guarda- volumes. Compras feitas, hora de ir pra fila do caixa, foi aí que tudo começou…
Andei por um dos corredores e vi que a fila passava reta em sentido horizontal em relação ao sentido do corredor que eu estava, deduzi que era uma fila única, coisa comum nos demais supermercados da rede Wal Mart. Voltei e fui para o último corredor, a fila estava enorme, tomei minha posição e fiquei aguardando. Se passaram alguns minutos e ninguém avançava, já se ouvia o burburinho de reclamações, quando uma moça de uniforme apareceu:
– Porque que vocês estão nessa fila? Essa fila é pra rancho, vocês não podem ficar aqui!
Lógico que toda essa delicadeza gerou uma reação dos clientes que não foi nada sutil. Começaram a reclamar e perguntar:
– Então pra onde a gente vai? As filas tão todas cheias, porque não colocam mais operadoras de caixa pra trabalhar?
Aí veio a resposta da funcionária, que foi o que mais me impressionou.
– Ninguém quer trabalhar aqui!
Diante dessa baixaria dei meia volta e me encaixei na primeira fila que vi, prometi pra mim mesma que não iria perder a paciência, minha mãe já havia chegado, eu estava na metade do caminho para casa e ainda precisaria dirigir numa sexta-feira de chuva, então ainda precisaria da minha paciência até chegar em casa.
A moça que estava atrás de mim na fila me disse que este era o pior supermercado que existe, ela comprava ali porque não tinha outro, que era sempre assim. O burburinho dos clientes continuava, alguns perguntavam às operadoras de caixa:
– Então ninguém quer trabalhar aqui?
Finalmente chegou a minha vez de pagar as compras, percebi que a empacotadora trocou de posição com a operadora de caixa, sei lá se as funções são equivalentes, àquela altura eu já não entendia mais nada. Eu só dizia a mim mesma: paciência, paciência!
A funcionária que me atendeu me pediu para empurrar as compras, pois a esteira do balcão estava estragada, tudo bem colaborei sem problemas. Quando foi passar o saco dos pãezinhos este se abriu e dois deles caíram no chão – parece que era um dia difícil mesmo!Ela os jogou no lixo e pediu que a empacotadora buscasse outros na padaria. Paguei sem problemas e aguardei a menina voltar.
A menina voltou e enfim eu estava liberada daquele ambiente, em que parecia que os clientes não eram bem vindos, como se não fossem a razão daquele supermercado estar ali, em funcionamento.
Passado tudo isso não me saiu da cabeça aquela frase – “Ninguém quer trabalhar aqui!” Afinal de contas o que está acontecendo naquele lugar? Não sou cliente assídua dos supermercados da rede Wal Mart, sei que o atendimento não é sua prioridade, mas nunca tinha visto tal grosseria e confusão antes, nem mesmo em outro estabelecimento da mesma rede.
Fiquei pensando se aquela filial não está passando por dificuldades do tipo atendimento de metas, resultado, essas coisas. Mas aí me recordei do quanto aquele ponto comercial é referência não só no bairro Teresópolis como para toda a Zona Sul. Quem já me conhece sabe que já passei dos trinta e que sempre morei na Zona Sul de Porto Alegre, então me lembrei no tempo que ali funcionava o super Kastelão, eu era pequena. O super já tinha a área que tem hoje e já era muito conhecido, depois só foi mudando de gestão. Primeiro a rede SONAE comprou aí ele virou Nacional, depois veio o Wal Mart que manteve o nome, mas pelo jeito internamente muita coisa mudou.
Por que será que ninguém quer trabalhar lá? Será que as condições de trabalho são tão exploradoras? Será que o problema é naquela unidade específica?
Sei que há anos atrás o Wal Mart teve muito problemas com funcionários nos Estados Unidos no que se refere à Direitos Humanos. Ainda sob a gestão de seu fundador Sam Waltom que inclusive trancava seus funcionários do turno da noite nas lojas e permitia que imigrantes ilegais fossem contratatos, também para permanecer competitivo se reduziu salários e benefícios de funcionários. Tudo em nome da redução de custos e do melhor desempenho do negócio. Na América a rede teve que trabalhar muito para melhorar a sua imagem, mas isso em nada impediu de se tornarem a rede multinacional e multi milionária de hoje.
O que sei é que eles estão em todo lugar, mundo a fora, Brasil a fora, mas aqui no Rio Grande do Sul estamos acostumados com Bom dia, Boa tarde, Boa noite! Aqui valorizamos o atendimento, a cordialidade e o respeito.
Se alguém ler este texto e tiver alguma contribuição a fazer peço que o faça, e sinceramente gostaria muito que discordasse de mim e me dissesse que estou enganada, que não posso julgar todo um trabalho de gestão e estratégia por um dia difícil, numa unidade da rede que está com problemas. Gostaria de muito que me convencesse que o Wal Mart não chegou aonde chegou explorando pessoas e atendendo mal seus clientes.
E por fim aproveito para me apoderar da frase da funcionária fazendo uma pequena alteração: “Ninguém quer comprar aqui”!
Letícia Portella
17 de março de 2013.