'As Mulherzinhas' é uma deliciosa história de família - Book Stories 2.0
Literatura clássica, Educação de jovens, Crescimento pessoal, Dinâmica familiar, Guerra Civil Americana, Análise literária
Book Stories, 06.03.23 Mais um clássico lido, mais um objetivo cumprido.Se adorei o livro? Não! Mas não o detestei.Louisa May Alcott conta-nos em 'Mulherzinhas' a história de quatro irmãs com personalidades muito distintas umas das outras.Na verdade, a autora conta-nos um pouco a história da sua própria família, sendo a personagem Josephine, que todos tratam carinhosamente por Jo, um alter ego da própria Louisa May Alcott.A história decorre no espaço de cerca de um ano. As quatro irmãs vivenciam vários episódios – alguns divertidos, outros dramáticos – ao longo desse ano em que o pai se alista para a Guerra Civil Americana, uma decisão que afeta bastante a família pois no século XIX era o homem que providenciava o sustento da casa.A matriarca, a Mrs. March, é uma pessoa sensata e doce, mas também assertiva no que à educação das filhas diz respeito. Em todos os episódios vivenciados, a mãe ensina-lhes sempre uma lição de vida. Por norma os sermões são o suficiente para que as filhas se sintam mal para com as suas atitudes e reflitam sobre as mesmas, mas às vezes, como também acontece na vida real, são necessários castigos para que as mulherzinhas percebam a gravidade dos seus atos.Este livro, na verdade, lembra-me um pouco outro clássico, ‘As Meninas Exemplares’, da autoria da Condessa de Ségur. A história é relativamente parecida, o foco é a educação de jovens meninas e as lições de vida que estas aprendem.Aliás, a beleza desta obra é ver como os acontecimentos permitem às irmãs crescer, amadurecer e contrariar alguns dos seus principais defeitos.PersonagensA minha personagem preferida é a Jo. É uma menina de 15/16 anos que preferia ser rapaz, pois é irreverente e aventureira demais para o que é suposto esperar-se de uma menina desta idade no século XIX. Tem sangue na guelra e muitas vezes diz coisas sem pensar, acabando por se penitenciar pelos problemas que causa com a sua forma de ser tão direta. Adora todas as suas irmãs, mas tem um amor maior pela irmã mais velha Meg e, por isso, sofre quando esta atinge a maturidade sentimental.Meg, a mais velha, é, como seria de esperar, a que toma conta das restantes irmãs, sempre com uma postura bastante maternal. Tem um grande fascínio pela alta sociedade, pelos vestidos de cetim e as festas extravagantes até participar num desses eventos.Beth é a mais tímida. Prefere estar só com o seu piano do que socializar com as pessoas que não conhece. Passará momentos de verdadeira provação quando adoecer, uma situação que ajudará também as suas irmãs a crescer emocionalmente.Por fim, a mais nova é a Amy que quer casar com um homem rico para não ter outras preocupações na vida que não sejam a sua querida arte de pintar. E, no entanto, será a única a escrever um testamento, na sequência de um momento que lhe deixou marcas profundas e alterou uma parte importante da sua personalidade.✅ a facilidade da leitura, os momentos divertidos que a história proporciona❌ momentos em que a narradora diz que não descreverá determinada situação para “ficar à imaginação do leitor”⭐ 3,7 estrelas « anteriorinícioseguinte »
Texto originalmente publicado em Book Stories 2.0