Juntando as palavras – Colegas que se permitem ser amigas

Colegas que se permitem ser amigas

Estes dias reuni em minha casa pessoas de que gosto muito , que tive a sorte de conhecer no trabalho, mas que a amizade não se limitou ao ambiente do escritório. Fiquei muito ansiosa para que tudo desse certo e depois da visita fiquei tão agitada que quase não consegui dormir.

Conheci, através do trabalho, muitas pessoas e o fato de trabalhar a muito tempo na mesma empresa favoreceu esse círculo social, porém não é sobre uma reunião de integração, ou sobre essa vida social corporativa que quero me manifestar, quero falar de pessoas.

Pessoas que vão além do bom dia no corredor, do repasse de trabalho por mail, da obediência fiel dos processos de trabalho. De pessoas que se permitem conhecer outras pessoas, que quando perguntam: Como vai? Se preocupam realmente com a resposta que vão receber  e que sabem muitas vezes que aquele “tá tudo bem” não reflete a realidade, pois têm a capacidade de reconhecer nos olhos, na voz, num gesto como realmente vai a vida do outro.

Não acho correto expor a vida pessoal no ambiente de trabalho, tão pouco esgotar a vida pessoal com as lamentações do escritório, ao me deparar com alguém choramingando no banheiro feminino nunca consegui ignorar o fato e sempre tentei consolar, por outro lado também não suporto manifestações excessivas pelo meu bem estar alheio, de pessoas que muitas vezes se quer se olham nos olhos.

Me perguntei qual o equilíbrio dessa relação profissional x pessoal e não encontrei resposta, talvez  “química”, “sintonia” ou “energia” sejam, mesmo que tão subjetivamente,  as alternativas mais aproximadas. O certo é que para essa convivência dar certo não basta ser bom, tem que estar bem intencionado, não basta ter só intenção, tem que ter atitude, não basta comemorar a vitória, tem que construir o resultado, não basta dar gargalhada, também é preciso engolir o choro.

Acho que eu e essas colegas amigas ou amigas colegas, estamos mantendo o equilíbrio dessa relação, algumas mais distantes, outras mais próximas, mas sempre torcendo umas pelas outras.

Enfim, era sobre essas pessoas que eu queria falar: colegas que se permitem ser amigas.

Letícia Portella

24 de janeiro de 2013.