Ámen

Em círculo,

Estão os círios e as candeias,

Nas aldeias de novembro elas também estão

Em círculo,

As mães que fecham a escuridão.

Às vezes a neve cai sobre as palavras que

Os anjos aprenderam no bosque nocturno e

Então abre-se como um livro a casa de luzes

Vermelhas,

Acendendo, num porto antigo, os olhos

Profundos do abismo e da desolação.

Rezamos em silêncio e os sinos dobram e

Na curva da colina

Já se avista o cortejo da música.

Não podemos entrar.

Não há lugar aqui para as rosas do pai,

Inúteis, magoadas pelo furor das nossas mãos.

A mortalha arrefece.

Arrefecem longamente as estrelas que um

Dia vi sobre os jardins. Sem regresso

Estão os cisnes parados, quando a neve cai.

in Agora e na Hora da Nossa Morte (assítio & alvim, 2000)

Fim

faz-se tarde

e eu deixei de esperar-te.

todos os portos se fecham sobre mim

e a floresta adensa-se -

nenhuma clareira se abre à passagem dos

animais e do homem antigo.

são 4 horas na manhã de todos os relógios.

in Deste Lado Onde (Assírio & Alvim, 1976)

José Agostinho Baptista