por talesforlove, em 12.06.20

Hoje partilhamos um poema que é uma luta pela defesa da natureza, em toda a sua dignidade.

VASTIDÃO

Outra noite se perdeu,

De mim um pouco mais.

As pessoas falam de tempos futuros.

Que tempos seriam aqueles

Em que não nos matamos?

Vejo o inverno passar,

Não sei se sou ou se fui.

Que outras vozes seriam aquelas

Que não nos gritariam por justiça?

Eu acredito na fé que remove montanhas,

Embora tema os espinhos

E as farpas sonoras que cravam

Em meu corpo.

Infernos cotidianos crises opressões

Há quanto tempo abrimos nossos olhos

Nossas mentes

Há quanto tempo ainda assim

Somos tapados ignorantes, eu me condeno,

Resta-me o ocre veneno

Das línguas afiadas, a dor de uma paixão

Que não conhecerá mais cura

O abismo de gentes

A me provocar desertos.

Vieste florir esquecida

Nos jardins de minha vida.

As pessoas amam e destroem a natureza.

Onde estás, minha amiga? De qual

Árvore arrancada cantas para mim?

Até breve.