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Out11
Maria do Rosário Pedreira
Fui ver o último filme de Woody Allen e, embora não tenha embandeirado em arco nem achado que era o melhor desde Match Point, como a crítica disse, assistir à obra cinematográfica deste judeu franzino nunca é dar o tempo por perdido. Penso, entre outras coisas, que o filme é muito feito a pensar nos americanos – e que nele existem talvez demasiados clichés para os europeus, mas isso não fere nem incomoda. A verdade é que Woody Allen sabe contar uma história como em literatura, tem sempre tiradas geniais e escreve os seus filmes como muitos escritores deviam escrever os seus livros – sem palha. Além disso, este Meia-Noite em Paris é, de certo modo, uma homenagem à arte, à literatura e a muitos artistas e escritores (se é que os escritores não são eles próprios também artistas) que escolheram a Cidade das Luzes como lugar de aprendizagem e criação. Se gosta de livros – e, em particular, dos autores que estavam no auge nos anos 30 –, não perca. É pura literatura.