No mês de abril, a revista Fina indica livros considerados relevantes para se colocar na estante
Redação

Na seleta de Felipe Moreau, fundador da editora Laranja Original, crônicas rápidas e reflexivas, escritas ao longo de anos, ganham edição. A noção de tempo evoca um passado romantizado, ode aos tempos antigos. O texto é enxuto, são aforismos bem amarrados por temas que vão do autoconhecimento à psicanálise. Moreau também elenca suas referências na cultura pop, influências, dores, amores e bom humor. “Pequenas crônicas do passado” é um trabalho para ser apreciado em doses homeopáticas.

Obra definitiva do cartunista Jeff Smith, a saga Bone chegou finalmente ao Brasil pela editora Todavia, com tradução de Érico Assis. A clássica HQ norte-americano conta as aventuras de Fone Bone e seus dois primos por um mundo fantástico. Smith resgata uma atmosfera de leveza e fantasia nas graphic novels. São três volumes que englobam os vários livros da série com monstros, dragões, guerreiros e outros seres da mitologia. A Saga Bone foi publicada, primeiramente, em formato de revistas, popularizando-se entre jovens e adultos.

Lançado originalmente em 1903, As Almas do Povo Negro é considerado a pedra fundamental do movimento negro nos Estados Unidos no século XX. Todas as lideranças desse movimento – de Martin Luther King Jr. aos Panteras Negras, do jamaicano Marcus Garvey a Malcolm X, do pastor Jesse Jackson à marxista Angela Davis – mergulharam nestas páginas e saíram delas com concordâncias e discordâncias, mas, sempre, com inspirações.

Suzy King – A pitonisa da modernidade (Veneta)
Com pesquisa esmerada, os autores destrincham a vida pessoal e carreira da dançarina Suzy King, ícone da noite carioca. Cantora, compositora, atriz, bailarina clássica e folclórica, dançarina exótica e burlesca, encantadora de serpentes e faquiresa foram apenas algumas das atividades artísticas às quais ela se dedicou. Ao seguir o rastro misterioso de King, do nascimento no sertão da Bahia até a morte enigmática em um trailer na fronteira dos EUA com o México, em 1985. Com recortes de jornais, fotos e imagens inéditas, abre-se uma lacuna no imaginário popular a respeito da personagem.

Memórias de um doente dos nervos (Todavia)
Escrito em 1903 por um eminente jurista, recém-promovido à Corte de Apelação de Dresden na Alemanha, as MEMÓRIAS DE UM DOENTE DOS NERVOS apresentam, com toda a minúcia requerida pelo mais rigoroso pensamento clínico, o desencadeamento de um processo paranoico. Alguns anos depois, o livro serviu de base para um ensaio seminal de Sigmund Freud, “Observações psicanalíticas sobre um caso de paranoia relatado em autobiografia”, lançado em 1911. Nesta edição, além da clássica tradução da psicanalista Marilene Carone (1942-87), o leitor encontra dois textos — ensaios luminosos de Elias Canetti e Roberto Calasso — que ampliam a compreensão do caso Schreber e atestam sua inquietante atualidade.

Rei Lear
Clássica tragédia de Shakespeare, Rei Lear é um tratado sobre a loucura e se faz atual na conjuntura moderna de poder. Com tradução primorosa e notas de Paulo Henriques Britto, o livro narra a decadência de Lear, manipulado por duas de suas filhas, encontra-se confinado dentro da própria caduquice e desconfiança. Conhecido também como rei louco, Lear foi escrito no século XV e reverbera até hoje inspirando releituras no teatro, cinema e na própria literatura. Na tragédia, Cordélia, que é expulsa por Lear, ressurge como sua salvação.
*Todos os livros aqui apresentados foram enviados à redação pelas editoras.
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